Como contratar e checar serviços de acessibilidade digital para sua organização


Ilustração de cinco estrelas amarelas em um fundo azul. Pessoa toca a quinta estrela, da esquerda para a direita, com uma das mãos.
Acessibilidade digital exige conhecimento técnico e mudança de cultura. Foto: Pixabay.

Matéria publicada no dia 05 de setembro de 2019. Atualizada no dia 11 de agosto de 2021.

Tem sido cada vez mais comum organizações de diversos setores se arrependerem de investimentos realizados em ações de acessibilidade digital – seja para adaptação de seu site, seja na contratação de soluções baseadas em inteligência artificial compostas por diversos tipos de ferramentas automáticas que prometem tornar um site acessível de forma instantânea.

Se você faz parte desse grupo de profissionais, não se culpe. A temática da acessibilidade digital vem, cada vez mais, ganhando espaço na nossa sociedade, mas ainda temos um grande desafio pela frente: conscientizar o mercado sobre o que realmente torna um projeto web acessível.

E para isso acontecer efetivamente, quem contrata esses serviços precisa entender com um pouquinho mais de detalhes alguns aspectos de experiência de navegação das pessoas com deficiência, como e para que servem as ferramentas automáticas e, tão importante quanto, saber checar se o serviço entregue está, de fato, preparado para receber a visitação deste público.

Passar um validador automático na página entregue e inserir a URL para avaliar o desempenho em uma ferramenta online, por exemplo, são ações básicas que podem, de imediato, fazer com que sejam mapeadas algumas barreiras graves e, dessa forma, retornadas para que sejam ajustadas pela equipe contratada.

Nesta reportagem, reunimos uma série de informações valiosas para que, a partir de agora, você tenha muito mais autonomia em todo o processo de contratação para não ser passado para trás, e assegurar que o serviço ou ferramenta contratada realmente cumpra com o prometido.

E, lembre-se: acessibilidade digital de verdade, compromissada e transformadora, não se faz de forma automática – ela demanda conhecimento técnico e mudança de cultura.

O que você precisa saber primeiro

Acessibilidade digital é lei

O Brasil conta com algumas leis que são aliadas na promoção da acessibilidade na web. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) é considerada um grande avanço em relação aos direitos da pessoa com deficiência e o artigo 63 estipula que todas as páginas web de organizações que tenham representação no país sejam acessíveis a elas. 

E um dos requisitos é que o site esteja conforme as melhores práticas e diretrizes de acessibilidade adotadas internacionalmente. Ou seja, mais um motivo para não apostar apenas em soluções automáticas que não aplicam essas diretrizes na estrutura do site e não eliminam as barreiras de navegação e compreensão do conteúdo.

Acessibilidade digital é boa para todo mundo

É muito comum que as pessoas pensem que acessibilidade é boa só para quem possui uma deficiência visual mais severa. Na verdade, um site e um aplicativo acessíveis são fáceis de serem navegados por quem possui ou não deficiência, por pessoas idosas, com baixo letramento e quem está aprendendo a lidar com o mundo digital.

Se o seu site estiver acessível, ele pode conquistar o Selo de Acessibilidade Digital

O Selo é concedido pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) da cidade de São Paulo e tem validade em todo território nacional. O objetivo é incentivar a consciência e a prática da acessibilidade na web no país e reconhecer as organizações que já têm sites e portais acessíveis. O Selo certifica páginas que cumprem com critérios de acessibilidade estabelecidos nacional e internacionalmente. A iniciativa conta com validação da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA). Saiba como conseguir o Selo de Acessibilidade Digital.

Confira algumas boas práticas que você precisa conhecer antes de contratar um serviço digital

Preparamos uma curadoria de boas práticas de acessibilidade na web nas áreas de conteúdo, desenvolvimento e design. O nosso objetivo é que, a partir desses materiais, você consiga entender melhor sobre o que é acessibilidade digital na prática. Não é um guia, mas são algumas dicas rápidas que você pode incorporar no dia a dia.

O que você deve incluir no briefing ou na RFP (request for proposal)

Há uma série de recomendações de acessibilidade que precisam ser seguidas antes de começar um projeto. Em 2008, o W3C e especialistas do Google, Microsoft, IBM e empresas especializadas em acessibilidade criaram as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG). Elas são o padrão oficial aceito em diversos países, inclusive no Brasil.

Profissionais  que forem atender ao seu pedido de execução de site ou aplicativo têm que seguir essas diretrizes para que lhe entregue um projeto com acessibilidade e de acordo com a lei.

Peça referências de trabalhos digitais anteriores que tenham contemplado acessibilidade, conhecimento da WCAG 2.1 (que é a versão mais atualizada) e não se esqueça de considerar as três áreas: design, programação e conteúdo.

Como checar o trabalho realizado

Conheça algumas ações que você pode realizar para verificar se o site que você acabou de receber está ou não acessível.

Use ferramentas de validação automática

Você pode contar com nosso serviço gratuito de teste básico para ter uma ideia geral de como está a acessibilidade do site. É só enviar um email para contato@mwpt.com.br com a URL da página que gostaria que analisássemos . Nossa equipe de especialistas fará a análise básica e enviaremos a você um email com o resultado e dicas de como adequar a página de maneira sustentável.

Para ter uma visão mais aprofundada, você pode avaliar a acessibilidade com o ASES, Avaliador e Simulador de Acessibilidade em Sítios. É uma ferramenta online que permite avaliar, simular e corrigir a acessibilidade de páginas, sites e portais. Ele não faz alterações no site avaliado. Por isso, é essencial que o time de especialistas que cuida do seu site elimine manualmente as barreiras mapeadas pelo validador.

O ASES consiste em um sistema computacional avaliador de acessibilidade que extrai o código HTML (url, arquivo ou código fonte) de uma página web e faz a análise do seu conteúdo. A ferramenta faz a avaliação automática das páginas de acordo com as recomendações do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG), que é baseado na WCAG.

Alguns testes manuais que você pode fazer

Teste o site navegando pelo teclado

Você pode navegar pelo teclado usando a tecla TAB. Preste atenção nos links (confira  se consegue enxergar a marcação ao redor de cada palavra ou termo) e observe se consegue percorrer, de maneira sequenciada, todas as áreas do site usando apenas esse recurso.

Teste o site com um leitor de telas

Existem diversos tipos de leitores de tela, mas indicamos que o NVDA, que é uma versão gratuita disponível para quem utiliza o sistema Windows. Se você for usar um computador Mac, aí é só ativar o “voice over” utilizando o atalho “command+F5”.

Comece a navegar pela tecla TAB e as setas, vá passando pelos links, botões, imagens e ouça se o texto pronunciado pelo leitor de telas está compreensível.

Cheque se as imagens estão com texto alternativo.

Esse texto também é conhecido como “ALT text” e é escrito no código do site onde foi anexada a imagem. Você pode saber se ele foi incluído e se está compreensível clicando em cima da foto com o lado direito do mouse e depois em “Inspecionar”. O browser abrirá uma área ao lado do site com vários códigos, mas é preciso checar apenas a seção marcada em azul claro e conferir se ali está a descrição da imagem e se o texto está condizente com o que ela retrata.

Confira se os vídeos apresentam legenda em português e janela de Libras – Língua Brasileira de Sinais.

E, por falar em Libras, todo conteúdo do site deve poder ser traduzido para este idioma, que é o segundo oficial do Brasil. A tradução pode ser feita por intérpretes humanos ou tradutores  automáticos, como o da Hand Talk e o VLibras.

É importante destacar que todas essas iniciativas ajudarão você a verificar a acessibilidade mínima que um site deve ter. Há uma segunda etapa mais manual que mostrará se os textos estão escritos de maneira acessível, se a navegação está intuitiva, se as imagens estão adequadas, entre outros requisitos. Mas, ao seguir esses passos que indicamos, você evitará muitos problemas futuros e desperdício de tempo e dinheiro.

Se a agência ou o profissional que você contratar não tiverem capacitação nessa área, indicamos ainda  que estudem a nossa série “Aprenda a fazer sites acessíveis desde o começo”, em que apresentamos todo passo a passo para se fazer um site acessível. Confira:

E se mesmo assim precisar de mais ajuda, você pode contar com a equipe do Movimento Web para Todos! Acesse a página Nossos Serviços e saiba como podemos auxiliar nesse processo de transformação.

 


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