Como contratar e checar serviços de acessibilidade digital para sua organização



Ilustração de cinco estrelas amarelas em um fundo azul. Pessoa toca a quinta estrela, da esquerda para a direita, com uma das mãos.
Arte com pessoa tocando uma estrela. Foto: Pixabay.

Se você quiser contratar um serviço de acessibilidade digital para sua empresa ou organização, é importante que saiba como checar se o seu pedido foi realizado e se a sua plataforma está realmente acessível. É essencial que você entenda a dinâmica desse tipo de trabalho.

Vários profissionais nos disseram que contrataram serviços de criação ou adaptação de site acessível e quando passamos no nosso validador automático já pudemos perceber que muitos dos pré-requisitos de acessibilidade não haviam sido cumpridos. Numa segunda análise manual, mais falhas haviam sido encontradas.

Nosso objetivo é que você tenha autonomia em todo o processo antes de realizar a contratação. Que você saiba mais sobre o assunto e faça as perguntas corretas e pertinentes para que o seu projeto seja inclusivo e acessível da forma que precisa ser.

O que você precisa saber primeiro

– Acessibilidade digital é lei

O Brasil conta com algumas leis que são aliadas na promoção da acessibilidade na web. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) é considerada um grande avanço em relação aos direitos da pessoa com deficiência e o artigo 63 estipula que todas as páginas web de organizações que tenham representação no país sejam acessíveis a elas.

– Acessibilidade digital é boa para todo mundo

É muito comum que as pessoas pensem que acessibilidade é boa só para pessoas com deficiência visual. Na verdade, um site e um aplicativo acessíveis são fáceis de serem navegados por pessoas com ou sem deficiência, por idosos, analfabetos funcionais e pelas pessoas que estão aprendendo a lidar com o mundo digital.

– Se o seu site estiver acessível, ele pode conquistar o Selo de Acessibilidade Digital

O Selo é concedido pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) da cidade de São Paulo e tem validade em todo território nacional. O objetivo é incentivar a consciência e a prática da acessibilidade na web no país e reconhecer as organizações que já têm sites e portais acessíveis. O Selo certifica páginas que cumprem com critérios de acessibilidade estabelecidos nacional e internacionalmente. A iniciativa conta com validação da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA). Saiba como conseguir o Selo de Acessibilidade Digital.

– Confira algumas boas práticas que você precisa conhecer antes de contratar um serviço digital

Preparamos uma curadoria de boas práticas de acessibilidade na web nas áreas de conteúdo, desenvolvimento e design. O nosso objetivo é que, a partir desses conteúdos, você consiga entender melhor sobre o que é acessibilidade digital na prática. Não é um guia, mas são algumas dicas rápidas que você pode incorporar no dia a dia.

O que você deve incluir no briefing ou na RFP (request for proposal)

Há uma série de recomendações de acessibilidade que precisam ser seguidas antes de começar um projeto. Em 2008, o W3C e especialistas do Google, Microsoft, IBM e empresas especializadas em acessibilidade criaram as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG). Elas são o padrão oficial aceito em diversos países, inclusive no Brasil.

O profissional que for atender ao seu pedido de execução de site ou aplicativo tem que seguir essas diretrizes para que lhe entregue um projeto com acessibilidade e de acordo com lei.

Peça referências de trabalhos anteriores que tenham contemplado acessibilidade, conhecimento da WCAG 2.1 (que é a versão mais atualizada) e não se esqueça de considerar as três áreas: design, programação e conteúdo.

Como checar o trabalho realizado

Conheça algumas ações que você pode realizar para verificar se o site que você acabou de receber está ou não acessível.

Use ferramentas de validação automática

– Você pode testar no nosso site para ter ideia geral de como está a acessibilidade do site. É só colocar a URL da página na área “Transformação” e conferir se ela foi classificada como boa, regular ou ruim.

– Para ter uma visão mais aprofundada, você pode avaliar a acessibilidade com o ASES, Avaliador e Simulador de Acessibilidade em Sítios. É uma ferramenta online que permite avaliar, simular e corrigir a acessibilidade de páginas, sites e portais. Ele não faz alterações no site avaliado. Por isso, é necessário que o usuário faça as mesmas de acordo com os resultados fornecidos pela ferramenta. O ASES consiste em um sistema computacional avaliador de acessibilidade que extrai o código HTML (url, arquivo ou código fonte) de uma página web e faz a análise do seu conteúdo. O ASES faz a avaliação automática das páginas de acordo com as recomendações do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico (eMAG), que é baseado na WCAG.

Alguns testes manuais que você pode fazer

– Teste o site navegando pelo teclado
Você pode navegar pelo teclado usando a tecla TAB. Preste atenção nos links (veja se consegue enxergar a marcação ao redor de cada palavra ou termo) e observe se consegue percorrer todas as áreas do site usando apenas esse recurso.

– Teste o site com um leitor de telas
Existem diversos tipos de leitores de tela, mas indicamos que você use o NVDA, que é uma versão gratuita disponível para quem utiliza o sistema Windows. Se você for usar um computador Mac, aí é só ativar o “voice over” utilizando o atalho “command+F5”.
Comece a navegar utilizando a tecla TAB e as setas, vá passando pelos links, botões, imagens e ouça se o texto pronunciado pelo leitor de telas está compreensível.

– Cheque se as imagens estão com texto alternativo.
Esse texto também é conhecido como “ALT text” e é escrito no código do site onde foi anexada a imagem. Você pode saber se ele foi incluído e se está compreensível clicando em cima da foto com o lado direito do mouse e depois em “Inspecionar”. Você vai ver que abrirá uma área ao lado do site com vários códigos, mas é preciso checar apenas a seção marcada em azul claro e ver se ali está a descrição da imagem.

– Confira se os vídeos estão com legenda em português e janela de Libras – Língua Brasileira de Sinais.
E, por falar em Libras, todo conteúdo do site deve poder ser traduzido para este idioma, que é o segundo oficial do Brasil. Para isso, pode ser feito por intérpretes humanos ou avatares automáticos, como o da Hand Talk.

É importante destacar que todas essas iniciativas ajudarão você a verificar a acessibilidade mínima que um site deve ter. Há uma segunda etapa mais manual que mostrará se os textos estão escritos de maneira acessível, se a navegação está intuitiva, se as imagens estão adequadas, entre outros requisitos. Mas, ao seguir esses passos que indicamos, você evitará muitos problemas futuros e desperdício de tempo e dinheiro.

Se a agência ou o profissional que você contratar não tiverem capacitação nessa área, uma última dica que damos a eles é que estudem a nossa série “Aprenda a fazer sites acessíveis desde o começo”, onde damos todo passo a passo para se fazer um site acessível. Confira:

Aprenda a fazer um site acessível desde o começo – Parte 1;
Aprenda a fazer um site acessível desde o começo – Parte 2;
Aprenda a fazer um site acessível desde o começo – Parte 3.

E se mesmo assim precisar de mais ajuda, você pode contar com a equipe do Movimento Web para Todos! Acesse a página Nossos Serviços e saiba como podemos auxiliá-lo nesse processo de transformação.

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