
A Inteligência Artificial (IA) tem se tornado ferramenta cada vez mais indispensável para quem produz conteúdo. Ela é capaz de sugerir pautas, estruturar roteiros e redigir legendas em questão de segundos, otimizando fluxos de trabalho em escala global.
No entanto, essa agilidade traz um risco que pode passar despercebido tanto pela IA quanto por quem a conduz. Sem a orientação correta, esse tipo de ferramenta pode reproduzir e até ampliar barreiras de acessibilidade que excluem milhões de pessoas.
Para que a inovação seja, de fato, inclusiva, é preciso entender que a IA aprende com bases de dados que nem sempre priorizam a diversidade. Por isso, a nossa equipe de especialistas no Movimento Web para Todos refinou um modelo de comando, o chamado “prompt“, que educa a ferramenta antes mesmo de ela começar a escrever.
Dessa forma, a acessibilidade passa a ser considerada desde a etapa do planejamento, que é o modelo ideal e recomendado por especialistas ao redor do mundo.
Educando a ferramenta para uma comunicação sem barreiras
Ao interagir com um chat de IA, o segredo está na clareza das diretrizes. Um prompt bem estruturado garante que o texto final utilize linguagem simples, evitando metáforas ambíguas ou termos técnicos que dificultam a compreensão de pessoas neuroatípicas.
Além disso, o comando orienta o uso moderado de emojis, garantindo que eles apareçam principalmente ao final das frases para não interromper o fluxo dos leitores de tela.
Outro ponto crucial desse “treinamento” é a padronização técnica. Ao instruir a IA a escrever hashtags com iniciais maiúsculas (o formato conhecido como CamelCase), garantimos que os sintetizadores de voz identifiquem cada palavra individualmente. Sem esse cuidado, uma hashtag pode se tornar um amontoado de palavras e sons sem sentido para quem depende de tecnologia assistiva, quem tem algum tipo de dificuldade de leitura, pessoas estrangeiras aprendendo nosso idioma, entre outros perfis.
Do texto à imagem
O papel da IA também se estende à parte visual. No comando que desenvolvemos, incluímos diretrizes para que as sugestões de artes priorizem fontes sem serifa e alto contraste, elementos essenciais para pessoas com baixa visão ou daltonismo.
O ponto alto da estratégia é a automação da descrição de imagem. Ao final de cada sugestão de post, a ferramenta já entrega um texto detalhado para ser usado no campo de “Texto Alt” e na legenda, que deve ser sempre colocado no final antes das hashtags. Para ficar mais inclusivo e claro, recomendamos substituir a #PraCegoVer para “#DescriçãoDaImagem” ou simplesmente “Descrição da imagem”. Aqui está um exemplo de como você pode incluir a descrição no final da legenda.
A tecnologia deve estar a serviço da circulação do conhecimento, e não o contrário. Ao adotar comandos inclusivos como este a seguir, profissionais de comunicação e marketing digital ganham produtividade e ajudam a construir uma web onde a informação chega a todas as pessoas.
Prompt para posts acessíveis (para copiar e colar):
“A partir de agora, atue também como especialista em acessibilidade digital durante a produção de todos os conteúdos que escrevermos para as redes sociais. Garanta sempre que:
1) Sobre o texto: use linguagem simples, direta e acessível (evitando termos técnicos complexos ou metáforas ambíguas). Use apenas um ou dois emojis ao final das frases, se necessário.
2) Sobre as hashtags: escreva-as sempre com iniciais maiúsculas (exemplo: #WebParaTodos).
3) Sobre a acessibilidade visual: para as artes que criarmos, garanta que tenham bom contraste entre texto e fundo e utilize fontes sem serifa.
4) Sobre a descrição: ao final de cada sugestão de post, escreva uma descrição detalhada da imagem para ser usada tanto no campo de ‘Texto Alt’ quanto na legenda (usando #DescriçãoDaImagem).”