Como escrever com clareza e simplicidade no digital


Ilustração de uma pessoa com cabelo longo e óculos, com as mãos no teclado de um laptop sobre uma mesa com caneca, celular e lápis. Saindo da tela há um assistente de IA em forma de robô, caixas de diálogo com texto, imagem, entre outros elementos que remetem a conteúdo digital.

*Tradução e adaptação feita por Ariane Fini

Escrever de maneira clara e simples não é uma tarefa fácil, mas é essencial para entender o conteúdo da web. Um texto confuso já é uma barreira de acessibilidade a todas as pessoas leitoras, mas pode ser ainda pior para aquelas que têm transtornos de aprendizagem ou deficiências cognitivas.

Para complicar ainda mais, as “regras” variam entre os idiomas e podem variar entre diferentes culturas que compartilham o mesmo idioma. Muitas culturas valorizam uma comunicação eficaz e objetiva, enquanto outras acham-na muito direta ou até mesmo ofensiva.

Mesmo se um texto for claro e objetivo, nem todo mundo terá a mesma facilidade na leitura e na compreensão. Distúrbios de aprendizagem, de memória, transtornos de déficit de atenção e outras condições que afetam os processos cognitivos do cérebro podem comprometer a capacidade de compreensão de um texto.

Tornar textos mais claros e simples não significa escrever pouco. Exige critério, paciência,  entendimento sobre o que se deseja com aquela mensagem, entre outros aspectos que podem parecer complexos, mas não são.

Esse artigo, publicado originalmente pela WebAIM, oferece diretrizes gerais para uma escrita clara e objetiva usando como base o inglês norte-americano, mas com adaptações para a língua portuguesa do Brasil. Seguir essas recomendações aumentará significativamente a chance de seu conteúdo ser melhor compreendido por quem o lê. WebAim é uma organização sem fins lucrativos baseada no Instituto de Pesquisa, Política e Prática sobre Deficiência da Universidade Estadual de Utah, nos Estados Unidos.

1. Organize suas ideias em uma sequência que faça sentido antes e durante o processo de escrita

Para falar sobre um tópico com clareza, pense nele com clareza. O processo de organização é contínuo, começa antes mesmo de escrever a primeira palavra e acompanha todo o processo. 

Não há problema algum em reorganizar o texto durante a escrita. Quando achar que terminou, aproveite para analisar mais uma vez e verificar se a organização ainda faz sentido para você. Se fizer, ótimo! Caso contrário, tente de novo.

Separe o conteúdo com títulos para melhor organização visual e estrutural do texto. Eles facilitam a visualização e permitem que as pessoas usuárias pulem direto para o conteúdo de seu interesse, se assim o quiserem.

2. Introduza, explique e resuma

Comece com uma visão geral das ideias principais, explique-as no corpo do texto e faça um resumo ou as retome ao final.

Exemplo:

De forma resumida, a estrutura de ideias para um artigo sobre calvície pode ser:

  • Introdução (apresente as ideias)
    • A calvície não é apreciada como deveria.
    • Há vantagens em ser calvo.
  • Desenvolvimento (fale sobre as ideias)
    • Pessoas calvas não precisam se preocupar com o custo do corte de cabelo.
    • Podem cortar o próprio cabelo (o que resta dele) com uma navalha ou maquininha de cortar cabelo.
    • Não precisam se preocupar com penteados. Basta se secar com uma toalha depois do banho e então estão livres para se dedicar a outras atividades mais relevantes, como ler quadrinhos, praticar ioga ou subir em árvores.
    • Mesmo em dias com muito vento, nunca sofreram com o cabelo caindo nos olhos ou na boca, pelo menos não o próprio cabelo, o que torna esses dias de ventania mais agradáveis para quem não gosta de ter que ficar lutando com o próprio cabelo.
  • Revisão e conclusão (retomada das ideias)
    • A calvície proporciona algumas conveniências pouco apreciadas na vida, em termos de cortes de cabelo, penteados e dias de ventania. Já pensou em ficar careca?

3. Mantenha o foco

Quanto maior for o foco na ideia central, maiores são as chances de ela ser lembrada.

4. Torne o texto interessante

Capture a atenção de quem lê ao incluir detalhes relevantes que motivem essa pessoa a continuar lendo. Como diria Samuel Goldwyn, um dos fundadores da Paramount, “o que queremos é uma história que já comece com um terremoto e fique mais interessante a cada capítulo.”

5. Escreva para o seu público

Escrever para estudantes do ensino fundamental é diferente de escrever para quem cursa pós-graduação. Além do nível acadêmico ou de inteligência, considere também as áreas de especialização de quem lerá seu texto. Dependendo de quanto a pessoa está familiarizada com o assunto, pode ser necessário adotar um tom explicativo. Também devem ser levadas em conta as diferenças culturais, por exemplo, ao escrever para um público específico.

6. Não subestime a inteligência do público leitor, mas tenha em mente que nem todo mundo conhece o tema tão bem quanto você

É necessário um certo domínio do tema para explicá-lo de forma simples. Explicar conceitos pode ser útil e, respeitando quem estiver lendo, não são ofensivos. Algumas pessoas neuroatípicas podem precisar de mais suporte do que outras, mas, ao escrever para um público amplo, foque em um nível mediano de habilidades cognitivas.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA recomenda que a escrita tenha um nível de leitura equivalente ao 8º ano do ensino fundamental para um público amplo e um nível equivalente ao 3º ano do ensino médio para um público especializado ou com formação acadêmica. 

Muitos sites de notícias populares, como NPR e BBC, são escritos no nível do 8º ano. Textos profissionais, como o Journal of the American Medical Association (Periódico da Associação Médica Americana), são escritos em um nível um pouco mais elevado, aproximadamente equivalente ao 2º ano do ensino médio.

7. Escreva parágrafos coesos em torno de uma única ideia principal

Todas as informações em um parágrafo devem estar relacionadas à sua ideia principal. Se possível, coloque-a logo na primeira frase.

Exemplo:

O parágrafo a seguir, tirado do livro “Equipes de alta performance”, de Jon R. Katzenbach e Douglas K. Smith, fala sobre equipes. A primeira frase apresenta com clareza a ideia principal do parágrafo. As demais reforçam essa ideia. 

“Obstáculos são uma constante na vida das equipes. Eles ocorrem desde o momento em que uma equipe em potencial se forma até o seu fim. Os obstáculos também variam tanto quanto as equipes, os desafios de desempenho, os ambientes organizacionais e os contextos comerciais que os produzem. A equipe intermodal da Burlington Northern, por exemplo, enfrentou uma gerência pouco interessada, restrições à publicidade, desconfiança dos caminhoneiros e profissionais pouco qualificados no departamento intermodal. Também teve que lidar com o mau tempo, concorrência acirrada e uma economia desfavorável quando teve que convencer dois novos centros de distribuição de sua estratégia. Qualquer um desses obstáculos poderia ter comprometido o progresso e o desempenho da equipe, mas nada disso aconteceu. Na verdade, superar os obstáculos os fortaleceu como equipe.”

Sob a perspectiva da acessibilidade digital, quando o parágrafo for longo como este escrito acima, recomendamos que ele seja dividido em duas ou três partes para facilitar a leitura.

8. Evite gírias e jargões

Gírias e jargões podem ser úteis para quem os conhece, mas confusos para outras pessoas.

Exemplo:

Jargão da teoria social:

A teoria crítica busca problematizar a reificação hegemônica de construções sociais estratificadas e opressivas.

A frase acima descreve com precisão um aspecto do movimento social conhecido como teoria crítica, mas usa termos que são incomuns fora desse campo e têm significados específicos dentro dessa área. Esse exemplo pode confundir pessoas que não estão familiarizadas com a teoria em questão.

9. Use palavras e combinações de palavras familiares

A escrita deve servir para dialogar com quem lê, não para impressionar usando palavras incomuns ou rebuscadas.

Exemplos:

Palavras desconhecidas (para muitas pessoas):

O contingente numeroso de indigentes impecuniosos aglomerou-se nas proximidades da basílica.

Palavras familiares:

A multidão de pessoas pobres se reuniu perto da velha igreja.

10. Use a voz ativa

A voz passiva enfraquece a ação de uma frase, distanciando a ação dos sujeitos que a realizam. A voz ativa liga os sujeitos diretamente à ação.

Exemplo:

Voz passiva:

  • A comida foi consumida por pessoas convidadas à festa.
  • A experiência foi agradável para todo mundo.
  • O resultado da construção de uma rodovia em terras agrícolas foi a busca por ganhos econômicos da parte de algumas pessoas e a eventual perda de terras adjacentes à rodovia para projetos de construção comercial e residencial.

Voz ativa:

  • As pessoas convidadas comeram na festa.
  • Todo mundo se divertiu.
  • Com a construção de uma rodovia em terras agrícolas, algumas pessoas lucraram com a venda de terrenos às empreendedoras para a construção de projetos comerciais e residenciais ao lado da rodovia.

Às vezes, o foco é no objeto, não no sujeito. Principalmente ao noticiar um fato. Nesses casos, onde a voz ativa tende a tirar o foco do principal, é melhor usar a voz passiva e colocar a informação essencial em primeiro lugar.

Exemplos:

Voz ativa:

  • O governador Rhodes convocou a Guarda Nacional.
  • Mark Chapman, fã dos Beatles, atirou em John Lennon.
  • Arqueólogos no México descobriram um antigo palácio maia.
  • Uma tempestade repentina e violenta em Dallas derrubou o avião 191 da companhia aérea Delta.

Voz passiva:

  • A Guarda Nacional foi convocada pelo governador Rhodes.
  • John Lennon foi baleado por Mark Chapman, fã dos Beatles.
  • Um antigo palácio maia foi descoberto por uma equipe de arqueólogos no México.
  • O voo 191 da companhia aérea Delta caiu em meio a uma tempestade repentina e violenta em Dallas.

Analise cada caso. Se a voz passiva enfatizar melhor o ponto principal, como nos exemplos acima, sinta-se à vontade para usá-la quando necessário.

11. Use verbos de ação

É comum usar verbos de ligação na escrita, como “ser”, “estar”, “ficar”, “parecer”, “continuar”, “permanecer”, mas trocá-los por verbos de ação pode trazer vivacidade ao texto. 

O uso excessivo de verbos de ligação tende a anular a sensação de movimento: A frase “A é B” simplesmente iguala A a B. A relação entre A e B é estática. No entanto, ao usar verbos de ação no lugar, como “melhorar”, “esclarecer”, “modificar” ou “destruir”, a relação entre A e B fica dinâmica.

Exemplos:

Verbo fraco (“é”):

Uma maneira de fortalecer sua escrita é usar verbos de ação.

Aqui, “A = B”, ou seja, “uma maneira de melhorar sua escrita = usar verbos fortes”. Assim, a  relação de igualdade entre as duas partes da frase não gera nenhuma ação.

Verbo de ação (“fortalecer”):

Verbos de ação fortalecem sua escrita.

Neste outro exemplo, “A melhora B”. O sujeito (“verbos de ação”) faz a ação de fortalecer o objeto (“sua escrita”).

No final do item 10, explicamos uma exceção à regra, em situações onde a voz passiva é preferida e os verbos de ligação são inevitáveis.

12. Atenção ao paralelismo

Garanta a consistência na construção da frase.

Exemplos:

Construção sem paralelismo:

A nova máquina de triagem economiza tempo, aumenta os lucros e a satisfação das pessoas trabalhadoras.

Construção com paralelismo:

A nova máquina de triagem economiza tempo, aumenta os lucros e garante a satisfação das pessoas trabalhadoras.

Uma maneira de descobrir se o paralelismo está correto é formar uma frase completa com cada um dos itens:

  • A nova máquina de triagem economiza tempo.
  • A nova máquina de triagem aumenta os lucros.
  • A nova máquina de triagem garante a satisfação das pessoas trabalhadoras.

A terceira frase precisava de um verbo para ter um sentido completo e ficar paralela às outras.

13. Use termos positivos

Enfatize como as coisas são, seja no passado, no presente ou no futuro. Sempre que possível, evite construir uma frase a partir da perspectiva negativa de como as coisas não são ou não deveriam ser.

Exemplos:

Termos negativos:

  • Não se suje.
  • Não se esqueça de regar as flores.
  • Não me lembro onde eu estava ontem à noite.
  • As pessoas do coral não devem cantar em desarmonia com o resto.

Termos positivos:

  • Mantenha-se limpo ou limpa.
  • Lembre-se de regar as flores.
  • Eu me esqueci de onde eu estava ontem à noite.
  • As pessoas do coral devem cantar em harmonia com o resto.

14. Dê instruções diretas

Instruções diretas ajudam na compreensão e impõem maior responsabilidade à pessoa que lê.

Exemplos:

Instruções indiretas:

  • Estudantes devem ler o capítulo cinco.
  • É recomendável tomar um bom café da manhã antes de sair de casa.
  • É arriscado tentar andar em uma corda bamba sobre um fosso de crocodilos famintos, portanto, recomenda-se evitar essa prática.

Instruções diretas:

  • Leia o capítulo cinco.
  • Tome um bom café da manhã antes de sair de casa.
  • Não se recomenda andar numa corda bamba sobre um poço cheio de crocodilos famintos.

15. Evite dupla negativa

Frases que usam dupla negativa podem causar confusão ou dificultar a compreensão.

Exemplos:

Dupla negativa:

  • Não se esqueça de não abrir a boca ao cair em uma poça de lama.
  • Eu não deixo que eles não façam as tarefas de casa.

Negativa simples:

  • Não abra a boca ao cair em uma poça de lama.
  • Eu não deixo que eles fujam das tarefas de casa.

16. Explique siglas e abreviações

Acrônimos e abreviações desconhecidos não agregam nada à leitura. Acrescentar o nome por extenso na primeira vez, ou nas primeiras vezes, em que aparecem no texto auxilia na compreensão.

Exemplos:

Acrônimos não explicados:

A professora elaborou os PEIs para estudantes com transtornos de aprendizagem e precisou seguir as metas do IDEB.

Acrônimos explicados:

A professora elaborou os Planos Educacionais Individualizados (PEIs) para estudantes com transtornos de aprendizagem e precisou seguir as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

17. Atenção à ortografia

Use a ferramenta de correção ortográfica automática, mas releia o texto para garantir que nenhuma palavra tenha sido usada de forma inadequada.

Exemplos:

Ortografia incorreta:

  • Eu queria ver o pôr do slo sozinha. (O correto é “Eu queria ver o pôr do sol sozinha.”)

Palavras escritas corretamente, mas usadas inadequadamente:

  • Ele está mau hoje. (O correto é “Ele está mal hoje.”) 
  • Vou ir no cinema hoje. (O correto é “Vou ao cinema hoje.”)
  • Houveram muitos problemas. (O correto é “Houve muitos problemas.”) 
  • Vou subir em cima do telhado hoje. (O correto é “Vou subir no telhado hoje.”) 

18. Opte por frases curtas

Quando as sentenças se alongam demais, é comum perder o foco da ideia central. Prenda a atenção usando frases mais curtas. Como diria o filósofo Baltasar Gracián, “coisas boas, quando curtas, são duas vezes melhores.”

Exemplos:

Frase longa e prolixa:

Combinamos que íamos comer naquele novo restaurante grego da cidade, depois ver um filme e, antes de ir para casa, passar no mercado para comprar leite para o café da manhã porque o nosso acabou hoje mais cedo, e o cereal sem leite não fica bom, e não dá para usar suco de laranja no lugar, que apesar de deixar um toque cítrico azedinho, que combina bem com um suco, não fica tão bom quando misturado ao cereal.

Frases mais curtas:

Combinamos que íamos comer naquele novo restaurante grego da cidade, depois ver um filme.

Antes de ir para casa, a gente devia passar no mercado para comprar leite para o café da manhã porque o nosso acabou hoje mais cedo.

O cereal sem leite não fica bom, e não dá para usar suco de laranja no lugar.

O suco de laranja deixa o cereal com um toque cítrico azedinho, que combina bem com um suco, mas não fica tão bom quando misturado ao cereal.

Melhor ainda:

Combinamos de comer no novo restaurante grego e depois ver um filme. Antes de ir para casa, a gente devia passar no supermercado para comprar leite para o café da manhã porque o nosso acabou. O cereal sem leite não fica bom, e não dá para usar suco de laranja no lugar. O suco de laranja tem um toque cítrico azedinho e é bom como suco, mas não para misturar com o cereal.

19. Evite palavras e parágrafos desnecessários

William Strunk Jr, autor de “The Elements of Style” (“A arte de saber escrever”, na versão traduzida), um guia de escrita que se tornou fundamental para a língua inglesa, faz a seguinte analogia que explica bem essa regra: “o poder da escrita está na concisão. Uma frase não deve conter palavras desnecessárias, um parágrafo não deve conter frases desnecessárias, pela mesma razão que um desenho não deve ter linhas desnecessárias e uma máquina não deve ter peças desnecessárias.”

Exemplo:

Muito prolixo:

Na minha opinião, a explicação dada pelo professor não foi breve o suficiente para ser interessante e não foi compreendida pela turma.

Melhor:

Acho que a turma não entendeu a explicação longa e sem graça do professor.

20. Quando terminar, pare

Diga apenas o necessário. Simples assim.

Considerações adicionais para pessoas com transtornos de aprendizagem e deficiências cognitivas

As diretrizes acima ajudarão pessoas com transtornos de aprendizagem ou deficiências cognitivas na compreensão textual. No entanto, podem ser insuficientes para aquelas que leem com dificuldade ou são analfabetas. Nesses casos, textos sempre serão um problema. Aqui estão algumas recomendações adicionais para pessoas neuroatípicas:

  1. Forneça ilustrações como alternativas ou complementos. Faça todo o possível para deixar o texto claro e simples e só depois adicione ilustrações.
  2. Reduza o texto o máximo que conseguir. Páginas com muito texto podem intimidar pessoas com dificuldades de leitura. Para esse público, quanto menos, melhor.
  3. Use parágrafos curtos ou listas. Parágrafos curtos ou listas são mais amigáveis do que grandes blocos de texto.
  4. Seja o mais literal possível. Algumas pessoas neuroatípicas têm dificuldade em distinguir entre o significado literal e o significado implícito. Sarcasmo e paródia podem confundir, especialmente na web.

Como saber se alcançou clareza e simplicidade em seu texto

Não existe um teste definitivo e objetivo para uma escrita “clara e simples”. Mesmo conceitos explicados com maestria podem ser interpretados de forma errada.

Testes de legibilidade

Há algoritmos que avaliam a legibilidade ou o nível de escolaridade necessária para a leitura de um texto, como o índice de nebulosidade de Gunning, o teste de facilidade de leitura de Flesch e o nível de graduação de Flesch-Kincaid. Alguns sites disponibilizam uma avaliação do texto escolhido usando esses índices como base; em inglês, temos: Readabilityformulas, WebFX, e o Hemingway. Em português, temos: ALT, Simplesmente, e Maudy.

Esses algoritmos são interessantes porque se baseiam em fórmulas e medidas matemáticas. Infelizmente, a ênfase desses testes na precisão quantitativa pode levar a crer que escrever de forma clara e simples é um processo mecânico. Os próprios algoritmos são questionáveis, já que utilizam critérios superficiais como o número de sílabas, o número de palavras, o comprimento das frases, etc., que são medidas indiretas.

É possível avaliar a legibilidade conforme o teste de facilidade de leitura de Flesch e o nível de graduação de Flesch-Kincaid usando o Microsoft Word. O programa também fornece o percentual de frases na voz passiva (quanto menor for a porcentagem, melhor).

Para ativar esse recurso no Word:

  1. Acesse Arquivo > Opções > Revisão de Texto.
  2. Em “Ao corrigir ortografia e gramática no Word”, certifique-se de que a opção “Marcar erros gramaticais ao digitar” esteja selecionada.
  3. Selecione “Mostrar estatísticas de legibilidade”.
  4. Acesse Revisão > Editor.
  5. Após corrigir ou “ignorar” todos os erros encontrados no documento, as estatísticas de legibilidade serão exibidas na caixa de diálogo.

Embora os testes de legibilidade sejam apenas uma sugestão da legibilidade real, eles podem ser usados como um feedback básico e uma medida para comparação.

Escrever com clareza e simplicidade não é fácil, mas é importante tentar. As pessoas, especialmente aquelas com deficiências cognitivas, têm maior probabilidade de entender sua escrita se você dedicar um tempo para organizar seus pensamentos e escrevê-los da forma mais clara e simples possível, adaptando-se ao seu público.

*Ariane Fini é tradutora e voluntária do Movimento Web para Todos.


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