Aprenda muito com o conteúdo gerado pelos Encontros CCBB sobre Acessibilidade Digital


Print de tela, em tons de roxo e rosa, de um dos painéis dos Encontros CCBB sobre acessibilidade digital. Há seis janelas com o rosto de cada participante do painel, sorrindo: Simone Freire, do Movimento Web para Todos; Alexandre Ohkawa, da Hand Talk; Marcos Lima, do Histórias de Cego; Leandrinha Du Art, midiativista PCD; Paula Pfeifer, do Surdos que Ouvem; e a intérprete de Libras.
Print de tela de um dos painéis dos Encontros CCBB sobre acessibilidade digital.

Entre os dias 20 de maio e 14 de junho foram realizadas três oficinas sobre acessibilidade digital e três painéis com especialistas que discutiram esse tema dentro do universo da cultura e das artes. Essa série de eventos formou o seminário chamado Encontros CCBB Sobre Acessibilidade Digital, que foi realizado pelo Centro Cultural Banco do Brasil, com curadoria do Movimento Web para Todos, patrocínio do Banco do Brasil, idealização e produção executiva da Agência Galo.

O evento contou com a participação intensa do público e ampliou o interesse de pessoas que trabalham com produção cultural em tornar seus projetos e espaços mais acessíveis e inclusivos. Foi interessante também para quem deseja aprofundar seus conhecimentos sobre acessibilidade digital, já que foi uma ótima oportunidade para ampliar sua percepção de como as barreiras no mundo virtual afetam a vida de muita gente com e sem deficiência. 

Nesta reportagem, preparamos um compilado sobre os seis encontros. As gravações contam com legenda, Libras e link para acessar a audiodescrição, que está na descrição de cada vídeo no canal do Banco do Brasil no YouTube.

Painel de abertura: Acessibilidade Digital nas artes visuais: por que você deve se preocupar com isso?  

Não adianta investir em acessibilidade em ambientes físicos e não dedicar a mesma atenção para o virtual. É pelo site que o público inicia sua experiência com determinada exposição cultural, peça teatral, shows musicais, entre tantas outras manifestações artísticas. Nesse painel, Simone Freire, idealizadora do Web para Todos, Eric Klug, presidente da Japan House São Paulo, e Beto Pereira, presidente da ONCB – Organização Nacional de Cegos do Brasil, conversaram sobre as vantagens e desafios de tornar espaços e eventos culturais acessíveis a todas as pessoas. 

Assista a gravação do painel e conheça algumas iniciativas bem-sucedidas nesta área, as principais barreiras que ainda precisam ser eliminadas no campo digital da cultura e das artes, e o que pensam as pessoas com deficiência sobre o assunto.

Oficina de Programação Acessível

Em menos de duas horas é possível aprender as melhores práticas de programação acessível com dois grandes especialistas no assunto: Reinaldo Ferraz, do W3C Brasil, e Leonardo Gleison, técnico em tecnologia assistiva da Laramara. 

Eles apresentaram conceitos, critérios de sucesso (WCAG) com foco em desenvolvimento, melhores práticas para estruturar páginas, navegação, responsividade, animações, WAI-ARIA, comportamento de mídias e formulários, testes, entre outros tópicos. 

Confira a gravação da oficina e conheça também exemplos de aplicações de acessibilidade em páginas, guias e ferramentas para você se inspirar em seus projetos. Entenda mais a fundo com Leonardo Gleison como é a experiência de navegação de uma pessoa cega e os tipos de barreiras que ela normalmente enfrenta no digital.

Oficina de Design Acessível

Já parou para pensar que a escolha da paleta de cores, do tipo e do tamanho de fonte, e a posição dos elementos em um site, por exemplo, vão muito além de critérios estéticos? Odilon Gonçalves, gerente de tecnologia e inovação do Museu da Pessoa e Diniz Candido, especialista em acessibilidade digital e criador do canal Mundo Cegal, explicaram sobre isso e muito mais na oficina de design acessível dos Encontros CCBB sobre Acessibilidade Digital.

Eles apresentaram didaticamente os principais critérios de sucesso com foco em design e UX descritos no WCAG 2.1, e também as melhores práticas para se projetar um site acessível. Ao assistir a gravação da oficina você também vai conhecer guias e ferramentas para auxiliar no desenvolvimento e validação de aplicações web.

Oficina de Produção de Conteúdo Digital Acessível 

Esse é o típico exemplo de oficina que todas as pessoas que produzem qualquer tipo de conteúdo na web deveriam assistir. As dicas que foram ensinadas servem tanto para profissionais que trabalham com produção de conteúdo digital, independentemente do segmento, e também para serem aplicadas em perfis pessoais nas redes sociais.

A aula foi dada pela Simone Freire, do Web para Todos, e por Isa Meirelles, do Google Brasil e uma das líderes da Deficiência Tech, comunidade de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de tecnologia no Brasil. Elas explicaram o que é linguagem inclusiva, acessível e neutra; como descrever imagens e como utilizar o campo de texto alternativo. 

Elas mostraram também as melhores práticas para sites e redes sociais, entre elas: como estruturar conteúdo, como fazer vídeos e podcasts acessíveis, entre outras. Nesta oficina você tem acesso a exemplos de aplicações de acessibilidade em páginas web, materiais de referência e de apoio para auxiliar no planejamento e execução de conteúdos audiovisuais.

Debate: Desejos para a construção de uma sociedade digital culturalmente inclusiva

“Preconceito a gente combate com informação”. Essa frase foi dita durante o painel pelo Marcos Lima, jornalista e criador do canal Histórias de Cego, e foi o tom de todo o debate. Grande parte da audiência agradeceu pelo chat a chance de ter tido acesso a tantas informações que ajudam a combater preconceitos estruturais e nossos vieses inconscientes.

Além do Marcos, participaram do debate a Leandrinha Du Art, escritora e midiativista com foco nas causas LGBTQIA+ e PCD, e Paula Pfeifer, criadora do movimento Surdos que Ouvem, cientista social, escritora e líder da maior comunidade online de usuários de tecnologias auditivas da América Latina. A mediação foi feita em Libras por Alexandre Ohkawa, arquiteto, consultor e gestor cultural, presidente da Associação de Surdos do Estado de São Paulo Vem Sonhar e gerente de comunidade na Hand Talk.

Foram abordados os diferentes tipos de barreiras de acessibilidade que enfrentam diariamente no ambiente físico e digital e sobre a difícil jornada de combate ao capacitismo. Foram dados vários exemplos relacionados ao campo das artes e da cultura, mas que se repetem de alguma forma no ambiente corporativo, nos grupos sociais, entre outros. Assista esse debate e conheça um pouco melhor a realidade de pessoas com diferentes tipos de deficiência e seus desejos para uma sociedade mais inclusiva.

Painel: Acesso a arte e cultura por pessoas com deficiência 

O painel de encerramento dos Encontros CCBB sobre Acessibilidade Digital teve como base os resultados da pesquisa de opinião sobre acesso a arte e cultura por pessoas com deficiência. Ela foi feita especialmente para a ocasião com o objetivo de difundir informações sobre os hábitos culturais desse público no ambiente digital, além de estimular o debate sobre uma web mais inclusiva para todas as pessoas.

Cada dado da pesquisa foi comentado por Simone Freire, do Web para Todos, por Viviane Sarraf, fundadora da Museus Acessíveis e criadora da RINAM – Rede de Informação de Acessibilidade em Museus, e por Fernando Campos, jornalista, escritor e criador do canal Na Visão do Cego, no YouTube. 

O estudo deixou claro o interesse de pessoas com deficiência em participar mais ativamente de eventos culturais e artísticos especialmente no ambiente digital. Com a pandemia do coronavírus, quando ficamos mais dependentes da internet, as barreiras de acessibilidade ficaram ainda mais evidentes para esse público. 

Confira a análise da pesquisa feita pela Simone, Viviane e Fernando e suas dicas de como profissionais que trabalham com produção cultural poderiam desenvolver seus projetos de maneira acessível a todo mundo.


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