Episódio 89 - Como projetar para pessoas com deficiências cognitivas


Transcrição do Áudio

VINHETA: Agora na rádio ONCB, o UX da Inclusão. Tudo sobre acessibilidade web com a equipe do Movimento Web para Todos. UX da Inclusão.

ELI MACIEL: Olá! Sou a Eli Maciel, Gestora de Pessoas e de Projetos de Comunicação na Espiral Interativa, agência de comunicação digital idealizadora do Movimento Web Para Todos. Tudo bem?

Você sabe da importância de se estruturar a elaboração de especificações técnicas com base em fatores humanos, ou seja, do ponto de vista de pessoas usuárias, na hora de projetar conteúdo web acessível para pessoas com deficiência cognitiva?

Parece mais fácil para uma pessoa desenvolvedora considerar que alguém com deficiência visual “não vê”, do que lembrar todas as especificações técnicas necessárias para tornar uma página acessível para alguém com deficiência visual, por exemplo.

A partir dessa perspectiva simples, quem desenvolve pode prosseguir com itens que fazem sentido para ela. Ao lembrar que a pessoa com deficiência visual não pode ver os elementos da página, ela é levada a perguntar se existem alternativas equivalentes para o conteúdo, como o uso do texto alternativo, e para a estrutura, com rótulos de formulário associados ou cabeçalhos de colunas e linhas associados em tabelas de dados.

Essa abordagem, de acordo com o Web AIM, está alinhada com as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) do W3C, onde as especificações técnicas se concentram em conceitos-chave como “perceptível” e “operável”. Essa macroestrutura acabará por reduzir a própria carga cognitiva das pessoas envolvidas no desenvolvimento de produtos digitais com relação às técnicas de acessibilidade e vai ajudá-las a incorporar a acessibilidade em sua prática.

Mas quem são as pessoas com deficiências cognitivas?

Elas representam o maior grupo de deficiência em todo o mundo. Existem quatro vezes mais pessoas com esse tipo de deficiência do que pessoas com deficiência visual. Isso se deve, em parte, ao fato de que várias deficiências distintas podem afetar a capacidade de um indivíduo de processar, acessar ou recordar informações e experiências de aprendizado.

Devido à variedade de desafios semelhantes enfrentados por pessoas com deficiências cognitivas, muitos subgrupos são tipicamente alocados no abrangente grupo de “Deficiência Cognitiva”. Isso inclui pessoas que têm:

Deficiências de aprendizagem (como dislexia e disgrafia); Transtornos de atenção (como TDAH); Deficiências de desenvolvimento (como síndrome de Down, síndrome do X frágil, autismo e paralisia cerebral); e deficiências neurológicas (como Alzheimer, traumatismo cranioencefálico, demência e Acidente Vascular Cerebral).

Um dos desafios neste grande grupo de deficiências é que as necessidades das pessoas são bastante diversas. É comum que pessoas com deficiências cognitivas apresentem déficits em uma área, mas demonstrem habilidades típicas, ou até avançadas, em outras.

Padrões emergem, contudo, ao tentar descrever as dificuldades que uma pessoa com deficiência cognitiva precisa superar. As palavras mais comuns usadas para descrever os problemas encontrados na Web por pessoas neste grupo incluem:

Percepção e processamento; Memória; Solução de problemas; e Atenção.

Desta forma, algumas das recomendações específicas de design nas principais áreas que apresentam problemas comuns para pessoas com deficiências cognitivas, ou seja, percepção e processamento, memória, resolução de problemas e atenção são:

Use a linguagem mais simples possível para o conteúdo (verifique os níveis de leitura com uma ferramenta automatizada).

Permita que o texto seja ampliado.

Associe ícones ou gráficos com o texto para que dicas contextuais estejam disponíveis.

Evite textos rolantes (scrolling texts), pois aumentam a pressão para ler em velocidades pré-definidas.

Guarde o melhor contraste para itens que carregam conteúdo; permita que áreas de conteúdo não essenciais sejam suavizadas ou exibidas em tons pastéis.

Garanta que a pessoa possa personalizar a visualização com seus próprios estilos e desativar cores e imagens se desejado.

Evite elementos baseados em tempo (atualização automática, redirecionamentos, término de sessão) a menos que seja oferecida a opção de solicitar mais tempo.

Garanta que qualquer elemento acionável via mouse tenha uma área clicável suficientemente grande.

Utilize uma navegação consistente e previsível que seja uniforme em todo o site.
Use métodos consistentes para indicar hiperlinks (por exemplo, texto sublinhado em azul) e faça-os descritivos (por exemplo, evite “clique aqui” e “mais”).

Forneça demonstrações ou descrições em áudio sempre que possível.

Providencie transcrições em texto para mídias com legendas, de forma que a pessoa possa revisitar conceitos dentro da narrativa.

Use caminhos de navegação (“breadcrumbs”) óbvios no seu design.

Use títulos descritivos e outras técnicas de organização (por exemplo, marcadores) para estruturar seu material.

Garanta um amplo espaço em branco em seu design, em vez de condensar ou sobrecarregar as páginas com informações.

E evite ícones animados ou piscantes, a menos que sejam necessários para o conteúdo.

Agora é só refletir e colocar em prática. Siga acompanhando a gente nas redes sociais e na rádio por uma sociedade mais diversa e inclusiva para todas as pessoas. Até a próxima.

VINHETA: Você ouviu UX da Inclusão. Tudo sobre acessibilidade web com a equipe do Movimento Web para Todos. UX da Inclusão. Rádio ONCB.