Treinamentos em acessibilidade ganham mais força com experiências reais


Várias pessoas ao redor de mesas grandes. Elas estão com os olhos vendados navegando na web pelo celular e por meio do leitor de telas.
Pessoas navegando com leitor de telas com apoio de equipe com e sem deficiência do WPT | Fonte: arquivo WPT

Muito se fala sobre acessibilidade digital em livros, cursos, palestras, na mídia, entre outros lugares. Mas, na prática, ainda percebemos uma distância significativa entre entre o que se aprende e o que se implementa.

Equipes inteiras recebem instruções técnicas, leem as diretrizes e normas de acessibilidade digital, mas quando precisam aplicar o conhecimento, percebem que a compreensão não foi tão profunda quanto parecia. E aí, desistem de aplicar os conhecimentos e as barreiras continuam persistindo na web.

É nesse ponto que treinamentos baseados em problemas reais fazem a diferença. “Quando estávamos planejando o lançamento do Movimento Web para Todos, a pergunta que ressoava era ‘por que continuam sendo feitos sites sem acessibilidade, sendo que há conteúdo farto disponível gratuitamente na web sobre isso?’. Foi aí que percebemos que faltava a conexão entre teoria, empatia e prática”, lembra Simone Freire, idealizadora do WPT.

Com base nisso e no lema “Nada sobre nós sem nós”, adotado mundialmente pelas pessoas com deficiência, o Movimento passou a incorporar uma metodologia de ensino que une prática e vivência. Neste texto, compartilhamos um pouco dos aprendizados que temos tido ao longo dos anos e que podem inspirar outros tipos de formação, além da acessibilidade digital.

A força da experiência real

Quando um profissional de desenvolvimento ou de design vê alguém com deficiência navegando em um site, aplicativo ou totem digital e enfrentando uma barreira, a compreensão do problema ganha outra dimensão. O que antes parecia apenas uma regra técnica ou recomendação abstrata passa a ser entendido como algo que afeta diretamente a vida de milhões de pessoas.

Por exemplo, quando uma pessoa cega demonstra como um simples botão sem descrição impede a finalização de uma compra online. O problema técnico está listado em documentos e normas de acessibilidade. 

Mas surge um senso de urgência e motivação para mudança entre profissionais quando se vê o impacto em tempo real, a frustração, a limitação e até o abandono da tarefa por quem enfrenta diariamente esses tipos de barreiras.

“Apesar de termos registrado no último Censo de 2022 mais de 14 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, muita gente que trabalha com produtos digitais nunca teve ninguém em seu círculo de relacionamentos com algum tipo de deficiência. Assim, barreiras de acessibilidade não são percebidos como um problema porque é algo muito distante desse grupo”, explica Simone enquanto destaca a importância de se gerar empatia para ampliar a absorção de conhecimento. 

Teoria sozinha não gera empatia

Exemplos fictícios ajudam a ilustrar, mas dificilmente despertam empatia ou promovem uma mudança de comportamento duradoura. A prática, acompanhada do relato de quem vive a barreira todos os dias, amplia a percepção de responsabilidade das equipes. A pessoa deixa de pensar apenas em “cumprir uma exigência” e passa a entender que cada ajuste tem potencial de transformar a vida de alguém.

Além disso, esse formato motiva e engaja times das mais variadas áreas. Perceber na prática que uma solução simples pode devolver autonomia e inclusão é um estímulo poderoso para que profissionais continuem aplicando as boas práticas de acessibilidade em seus projetos.

Sob a perspectiva dos negócios, nesse momento também fica mais claro para a liderança das organizações o mercado potencial que está sendo ignorado ou negligenciado.

Mudança de mentalidade

Treinamentos centrados em problemas reais criam memórias mais fortes, geram debates produtivos e ampliam a consciência coletiva no universo corporativo. O aprendizado se transforma em uma mudança de mentalidade e não fica mais restrito a uma lista de verificações técnicas.

Nesse contexto, a acessibilidade deixa de ser percebida como um desafio distante e passa a ser reconhecida como uma responsabilidade compartilhada, capaz de gerar impacto positivo imediato.

De acordo com a experiência do Web para Todos, ampliar a conscientização sobre o problema e gerar ação efetiva é muito mais possível ao aproximar profissionais da realidade das pessoas com deficiência. É essa combinação que garante avanços concretos em acessibilidade digital e que contribui para uma web realmente acessível e inclusiva.

Quer testar esse formato em sua organização? Envie um e-mail para contato@mwpt.com.br solicitando uma proposta de treinamento.


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