Web para Todos e Google promovem hackathon inédito para lojas virtuais


Homens e mulheres reunidos na sala de treinamento, sorrindo, fazendo caretas e gesticulando com as mãos. A maioria está segurando um certificado com as mãos.
Grupo que participou do Hackathon do WPT e do Google. Foto: Divulgação.

O dia 21 de fevereiro deste ano foi intenso de compartilhamento de conteúdo, apresentação de casos práticos e muita discussão sobre acessibilidade digital no comércio eletrônico. Profissionais de design, conteúdo e programação de alguns dos principais sites de e-commerce do Brasil participaram da atividade em São Paulo. Eles realizaram a transformação da área nobre onde cada site exibe suas promoções e produtos de destaque.O evento foi promovido pelo Google e pelo Movimento Web para Todos.

Simone Freire, idealizadora do Movimento Web para Todos, diz saber o quanto a operação das lojas virtuais é dinâmica, ainda mais quando estamos falando das mais acessadas do país. “Nosso propósito com o hackathon foi despertar a consciência sobre o tema nos desenvolvedores e mostrar que tornar um site acessível pode ser mais simples do que parece”, explica.

E funcionou! No final dos exercícios, vários participantes relataram que pequenos ajustes, que não tomariam mais tempo deles no dia a dia, já causariam um grande impacto em seus canais e derrubariam barreiras importantes para o acesso de pessoas com deficiência visual, por exemplo.

Cada uma das empresas participantes levou um profissional das áreas de design, conteúdo e programação. Na parte da manhã, eles tiveram uma noção geral sobre o universo das pessoas com deficiência, como é sua experiência de navegação na web e como a tecnologia pode realmente tornar as coisas possíveis a elas.

Reinaldo Ferraz, especialista em acessibilidade do W3C Brasil, apresentou um resumo do 2º Estudo de Acessibilidade Digital com foco em e-commerce, realizado em 2018 com o Movimento Web para Todos, e que analisou algumas das marcas ali presentes. Esse foi um bom aquecimento para a segunda etapa do dia, quando os participantes puderam aprender como implementar as melhores práticas descritas na cartilha WCAG 2.1, desenvolvida pelo W3C em parceria com empresas globais como o próprio Google.

À tarde, cada time se reuniu em torno de suas lojas virtuais e executou o desafio proposto com o apoio dos mentores do Web para Todos, entre eles dois representando o usuário com deficiência. Ao final, cada loja saiu com uma lista de itens de acessibilidade nas três áreas para que sirva como um guia daqui em diante.

Gleidys Salvanha, líder da equipe de varejo do Google Brasil, comentou sobre como é impressionante ver a evolução desse segmento em vários sentidos e que o passo a ser dado agora é o da acessibilidade. Ela destacou também a importância de unir forças e conhecimento com os diversos setores para que essas barreiras de acessibilidade sejam realmente quebradas.

Assista ao depoimento dela sobre a iniciativa:

Recomendações de pessoas com deficiência

Leonardo Gleison, especialista em tecnologia assistiva na Laramara, mostrou na prática as dificuldades de um cego ao tentar realizar uma compra em sites de e-commerce. E chamou a atenção para que o pessoal de conteúdo repense a comunicação que está escondida no código (a do “alt” das imagens). Para ele, que navega com leitor de telas, a frase descrita nesse espaço é a que fará que ele tenha ou não interesse pela compra daquele produto. Leonardo comentou que “a voz do leitor de telas já é muito chata e se o texto não for atraente é provável que eu passe por aquela informação e desista logo daquele site”.

Alexandre Ohkawa, arquiteto, trouxe o ponto de vista dos surdos sobre como deveria ser um site ideal, que vai muito além das legendas nos vídeos. Ele realçou a importância de ter um serviço de atendimento mais ágil e humanizado, como um número de WhatsApp. Ele disse que muitas vezes desiste de uma compra online por medo de que algo dê errado na operação e ele não consiga resolver rapidamente de forma autônoma, pois o canal para isso ainda é o telefone ou o chat robotizado. A equipe do Web para Todos defende os “chatbots”, como este serviço é chamado, mas desde que sejam pensados e estruturados levando em consideração a acessibilidade para todos.

Além do Leonardo e do Alexandre, dos mentores e dos parceiros do Movimento, o encontro contou com a presença de dois funcionários do Google Brasil que deram seus depoimentos e dicas preciosas às lojas virtuais. Leandro Pólito, responsável pela área de compras do Google no Brasil e América Latina, falou sobre a experiência de navegação de uma pessoa com baixa visão, ou seja, que enxerga menos de 20%. Ele contou que usa muito o recurso de zoom de tela e contraste, pois a luz cansa demais sua visão. Se o site não estiver preparado para interagir com a tecnologia que ele utiliza, por exemplo, certamente ele sairá logo e dificilmente retornará.

Nelson Azambuja Jr., especialista de marcas no Google Brasil, complementou o depoimento do Alexandre com a perspectiva de um surdo que não se comunica por Libras e que depende totalmente das legendas, além de um atendimento por escrito mais ágil. No caso das lojas virtuais, que muitas vezes utilizam vídeos com tutoriais de moda e maquiagem, ele recomenda uma atenção especial com legendas claras e objetivas.

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