Preconceito contra pessoas com deficiência ainda impede a acessibilidade

“É preciso quebrar as barreiras que impedem acessos a qualquer coisa na sociedade”, diz Alan Mazzoleni.


Foto do símbolo da acessibilidade pintado no chão.
Símbolo de acessibilidade. Foto: Creative Commons CC0.

Hoje, no Dia Mundial da Acessibilidade (5/12), buscamos a opinião de pessoas que lidam diariamente com essa prática ainda pouco aplicada na sociedade, mas que, felizmente, caminha para uma mudança. Acreditamos que a mobilização, a educação e a conscientização são movimentos essenciais para que a acessibilidade realmente aconteça.

“O mundo precisa saber que a diferença existe e que as pessoas com deficiência precisam ser olhadas como pessoas”, diz Carla Chierosa Antunes, estudante de jornalismo. Ela afirma que a falta de acessibilidade é frequente no seu dia a dia. “Antes de ser uma pessoa com deficiência, eu sou Carla. Não é a deficiência que vai me categorizar. Eu, por exemplo, não faço estágios de jornalismo por causa da deficiência. Eu faço os testes em rádios, jornais, TVs, mas quando eles descobrem que sou cega, desistem de oferecer a vaga”, afirma.

Barreiras de acessibilidade

Para Alan Mazzoleni, palestrante especializado em pessoas com deficiência, é preciso quebrar as barreiras que impedem acessos a qualquer coisa na sociedade. “A acessibilidade traz oportunidades e transforma vidas. A barreira atitudinal é a mais difícil de quebrar, pois depende das pessoas entenderem o que é e o que podem fazer para mudar e melhorar a acessibilidade. Só vamos melhorar as barreiras dos mundos online e offline quando todos entenderem a importância disso”, afirma.

Carla conta que é muito comum que pessoas com deficiência encontrem barreiras na web. “Existem muitos vídeos que só têm música e não têm audiodescrição. Muitas vezes quero assistir uma videoaula e o professor esquece de descrever a imagem. Muitos sites não são acessíveis. Uma das barreiras é a falta de descrição em imagens. Acabo não clicando porque não sei o que é. Outra barreira é aquela questão de segurança que você tem que colocar os caracteres. Muitos deles não têm o áudio. Então é bem complicado.”

A falta de acessibilidade traz outras consequências. “Quando encontro dificuldades para acessar a web ou qualquer coisa no meu dia a dia, eu me sinto muito desvalorizada, jogada para escanteio. O mundo precisa ser igual para todos. Antes de sermos pessoas com deficiência, somos pessoas. O mundo não foi feito para o cego, o surdo e para pessoas com outros tipos de deficiências, mas essas pessoas existem e precisam ser valorizadas da mesma forma.”

Alan percebe que, apesar da acessibilidade ser garantida por lei, a navegação na internet precisa melhorar muito. “Há vários sites que não têm ferramentas que ajudam as pessoas com deficiência e há outros que trazem barreiras até mesmo para quem não tem deficiência, como aquelas letras ruins que alguns sites pedem para comprovar que você não é um robô”.

Conscientização

A sociedade e as empresas estão mais conscientes em relação à acessibilidade? Segundo Aline Morais, codiretora da Santa Causa (consultoria de acessibilidade), a resposta é sim. “Isso se deve principalmente às garantias legais e à mobilização da sociedade civil organizada por mais direitos para as pessoas com deficiência”, afirma.

Apesar disso, ela afirma que o maior desafio da acessibilidade ainda é o preconceito. “Temos muito amparo legal e boas legislações para esse fim. Porém, precisamos batalhar para que elas sejam cumpridas e respeitadas. Isso só vai acontecer quando a sociedade compreender a importância da inclusão.”

Como o assunto acessibilidade digital pode chegar nas empresas e organizações? “É preciso conscientizar sobre a necessidade, ensinar sobre os recursos e como eles podem ser disponibilizados. Os movimentos da sociedade civil organizada em parceria com o Governo podem ajudar a acelerar esse processo. Campanhas de informação e apoio para a implantação de programas e ações com a finalidade de oferecer acessibilidade digital são algumas ideias”, disse.

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