Conheça a ferramenta que gera inclusão digital por meio do áudio



Mão de uma pessoa segurando um celular. A tela mostra uma notícia com a plataforma Audima.
Tela de celular mostra ferramenta Audima em um site de notícias. Foto: Audima / Divulgação.

Gerar inclusão digital com o áudio é o propósito da Audima, empresa que converte texto em áudio com locução natural e permite navegação mais agradável ao diferenciar palavras de imagens. “O áudio democratiza o acesso a informações importantes para que pessoas possam participar da revolução digital atual”, diz Luiz Eduardo Pedroza, cofundador da empresa.

A ferramenta, com base em inteligência artificial, atua para melhorar a experiência de navegação na web não só de pessoas cegas ou com deficiência visual. Ela também possibilita o acesso de pessoas que têm dificuldade de leitura (analfabetos, semi-analfabetos, analfabetos funcionais) e facilita a navegação de pessoas que conseguem ver, mas ao invés de ler, preferem ouvir o conteúdo.

Conversamos com Paula Pedroza e Luiz Eduardo Pedroza, cofundadores da Audima, sobre inclusão digital, conscientização das empresas e benefícios da plataforma. Confira!

Movimento Web para Todos: Como vocês lidam com a questão da acessibilidade digital com as empresas? É difícil convencê-las a instalar a ferramenta? Por quê?
Paula:
Muitas empresas e gestores já estão sensibilizados com a acessibilidade digital, mas não sabem por onde começar. Fazemos um processo de conscientização para que o ambiente digital seja cada vez mais inclusivo. A maioria entende a importância e os benefícios de se aumentar o alcance dos conteúdos com o áudio. O desafio é o processo burocrático em empresas que às vezes dificulta ou atrasa a implementação de tecnologias assistivas.

WPT: De que forma o áudio gera impacto social? E como a Audima tem contribuído para esse processo?
Luiz: O áudio permite que mais pessoas tenham acesso aos conteúdos escritos na internet. Nossa ferramenta torna possível que milhares de pessoas semi-analfabetas e idosas, por exemplo, consigam ouvir conteúdos relevantes. As pessoas semi-analfabetas e os analfabetos funcionais, que até conseguem ler os textos mas têm dificuldades para interpretá-los, também se beneficiam, já que o áudio facilita a interpretação e aumenta o interesse pelo conteúdo. O áudio abre um leque enorme de conteúdos que essas pessoas não teriam acesso por meio da leitura.

WPT: Qual é o tipo de empresa que melhor se beneficia da Audima?
Paula: A nossa ferramenta se aplica a qualquer tipo de conteúdo escrito em portais, intranets, plataformas de treinamento e newsletters por exemplo. Empresas que se comunicam com os colaboradores ou com o público externo por meio de textos e artigos são as que mais têm aderência ao áudio, pois imediatamente aumentam o alcance desses conteúdos.

WPT – Qual é a diferença entre a ferramenta de vocês e um leitor de tela?
Paula:
A Audima não é um leitor de tela. Ambos são ferramentas complementares. O leitor de tela é o que faz possível uma pessoa com deficiência visual utilizar um computador. Porém, além das vozes serem bastante robotizadas, muitos sites não atendem 100% as normas do W3C e a experiência de ouvir um conteúdo é muito difícil e confusa. Sites com a ferramenta da Audima melhoram a experiência de consumo de conteúdos, pois convertemos para áudio apenas o conteúdo em si – como o título e o texto de um artigo. Toda a navegação é feita com o leitor de tela, mas o consumo do conteúdo daquela página pode ser feita por meio da Audima.

Funciona assim: quando um site tem Audima instalado em suas páginas, o leitor de tela do usuário que a acessa recebe essa informação e as instruções para que ele acione a ferramenta se assim quiser. Os comandos permitem dar Play, Pausar, Avançar/Retroceder 10 segundos e Aumentar/Diminuir a velocidade de leitura.
O benefício, além da voz humanizada, é permitir que esse usuário ouça o conteúdo em si de forma rápida.

WPT: Qual é a utilidade da ferramenta especialmente para analfabetos e dislexos?
Luiz: Pessoas com dificuldades de leitura (analfabetos, semi-analfabetos, analfabetos funcionais) acabam ficando de fora de toda a informação escrita que é publicada na internet em formato de texto. Isso acaba proporcionando uma defasagem cultural entre toda a população que participa da comunicação digital e os que não têm acesso a esses conteúdos. Já para pessoas com dislexia, o áudio ainda é um grande aliado na absorção de conteúdos educacionais por exemplo, podendo ser usado simultaneamente com a leitura, reforçando a retenção.

WPT: De que forma podemos trabalhar por uma web acessível?
Luiz: A gente acredita muito na palavra movimento. Nós temos o Movimento #Audioinclui e, quando conhecemos o WPT, tivemos um “match” na hora! O áudio democratiza o acesso a informações importantes para que pessoas possam participar da revolução digital atual.
É um processo de conscientização das pessoas, das empresas e de órgãos e instituições. Não apenas conscientização das lacunas de acessibilidade, mas principalmente conscientizar sobre as soluções disponíveis e como todos podem contribuir para tornar o ambiente digital cada vez mais inclusivo.

Contexto do desafio: alguns números

  • A cegueira afeta 36 milhões de pessoas em todo o mundo. Especialistas alertam para o aumento no número absoluto de casos. Entre as hipóteses para explicar o quadro, os pesquisadores apontam o envelhecimento da população como possível causa. Os dados são de um estudo publicado em 2017 pela revista médica Lancet;
  • Segundo dados do IBGE de 2010, no Brasil, das mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual:

    – 528.624 pessoas são incapazes de enxergar (cegos);
    – 6.056.654 pessoas possuem baixa visão ou visão subnormal (grande e permanente dificuldade de enxergar);
    – Outros 29 milhões de pessoas declararam ter alguma dificuldade permanente de enxergar, ainda que usando óculos ou lentes.

  • De acordo com informações do World Report on Disability 2010 e do Vision 2020, a cada 5 segundos, 1 pessoa se torna cega no mundo. Do total de casos de cegueira, 90% ocorrem nos países emergentes e subdesenvolvidos. Estima-se que, até 2020, o número de pessoas com deficiência visual poderá dobrar no mundo.
  •  Em 2018, o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostrou que cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais.

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