Black Friday: existe acessibilidade nos sites para fazer as compras?

Não é difícil que pessoas com e sem deficiência encontrem barreiras de acessibilidade ao tentar aproveitar as promoções.


Arte da tela de um computador mostrando uma loja online.
Arte de uma loja online. Foto: Pixabay / Creative Commons.

Comprar online é sinônimo de praticidade para muitos brasileiros. Com a Black Friday, surgem milhares de anúncios, descontos e formas criativas de vendas. Pequenas, médias e grandes empresas aproveitam a data para impulsionar as vendas com os seus sites. Apesar disso, não é difícil que pessoas com e sem deficiência encontrem barreiras de acessibilidade ao tentar aproveitar as promoções.

E, quando falamos em vendas online, é importante destacar a questão dos direitos do consumidor. Nesta época do ano, entre pop-ups e anúncios que aparecem sobre o conteúdo em muitos sites, o risco de algum usuário clicar em um link malicioso é grande.

O arquiteto Alexandre Ohkawa é surdo e prefere não fazer compras pela internet, principalmente pela insegurança e pela falta de acessibilidade no atendimento. “Não tenho muita confiança em comprar em sites. Talvez por falta de informações ou por ouvir relatos de conhecidos meus. Acabo evitando, pois tenho medo de golpes. Além disso, se houver um erro ou algum problema, teria que mandar e-mail ou fazer uma ligação. Porém, eles demoram séculos para responder. Isso sem contar a possível demora para receber. E como ligar para resolver se eu sou surdo?”

Alexandre sugere alguns recursos de acessibilidade: “Por isso, seria legal uma conversa via vídeo, em Libras, ou trocas de mensagens pelo site, WhatsApp ou algum outro meio de comunicação por texto. E-mail é meio demorado nas respostas”, diz.

Foto do Alexandre Ohkawa, em pé, encostado em um poste. Ele é moreno, tem cabelos curtos, usa óculos.
Arquiteto Alexandre Ohkawa. Foto: Arquivo pessoal.

Autonomia para comprar

Segundo Leondeniz Cândido de Freitas, servidor público e idealizador do “Mundo Cegal”, a compra online acaba sendo mais vantajosa, embora encontre barreiras de acessibilidade. Ele tem deficiência visual e conta que há um despreparo dos atendentes para conseguir informações específicas sobre os produtos nas lojas físicas.

Leondeniz afirma que a principal barreira de acessibilidade que encontra online é na hora de realizar o pagamento. “Fica difícil saber qual é a bandeira do meu cartão. Por isso, costumo pedir auxílio de alguém para finalizar a compra, e a minha privacidade é comprometida. Também encontro barreiras quando preciso comprar uma passagem aérea. No momento de selecionar a data do voo, não consigo realizar a ação. Isso porque o recurso disponível é o teclado virtual, que precisa ser acessado com o mouse. No meu caso, essa ação acaba sendo uma barreira, pois navego pela internet com o teclado”, detalha.

Para ele, a tecnologia é um grande canal de autonomia para as pessoas com deficiência. “Por isso, bate um sentimento muito forte de frustração quando encontro uma barreira. Conheço um pouco de programação. Sei que implementar acessibilidade é simples, e fico muito decepcionado quando não há esse cuidado. A acessibilidade é fundamental para que haja dignidade para todas as pessoas. E mais: o responsável por uma loja online que não oferece acessibilidade precisa saber que está perdendo vários clientes por causa disso. Eu, por exemplo, já deixei de comprar por questão de militância mesmo.”

Direitos e acessibilidade digital

Entre desconfianças reais de compra online e os desafios de encontrar sites acessíveis, é importante destacar a proteção do consumidor. No Brasil, ela acontece por meio do sistema brasileiro de proteção ao consumidor. A principal norma deste sistema é o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Alexandre Pacheco da Silva, professor e pesquisador da Escola de Direito FGV-SP, explica melhor a relação dos direitos do consumidor com a acessibilidade digital.

“Há leis que buscam proteger o consumidor em relação à negativação de créditos (Lei do Cadastro Positivo), assim como regulamentos que tratam do comércio eletrônico. Podemos dizer que a Lei Brasileira de Inclusão é mais uma lei que busca proteger consumidores, neste caso, pela perspectiva da acessibilidade”, explica.

“Pela lei, acessibilidade não é apenas um direito. É um meio pelo qual pessoas com deficiência podem alcançar a sua inclusão enquanto consumidores e, sobretudo, enquanto cidadãos. Assim, mesmo que a Lei ainda precise de regulamentação em alguns pontos, o comércio eletrônico precisa incluir essas preocupações desde a criação do seu site. Se não por um imperativo de civilidade, por uma necessidade de vender mais produtos”, afirma.

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