“A acessibilidade dos sites é viva”, diz
idealizadora do WPT


Foto da Simone Freire sentada, falando ao microfone, na frente de uma plateia. Cid Torquato, Julio Oliveto e Caio Esteves estão sentados ao lado dela.
Simone Freire, idealizadora do Web para Todos, fala durante painel sobre acessibilidade no Festival Whow, em São Paulo. Foto: Web para Todos / Divulgação.

“Não existe sustentabilidade sem acessibilidade”. A conexão dessas duas palavras foi feita logo no início do painel mediado por Cid Torquato, Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência da Cidade de São Paulo (SMPED). O encontro fez parte de uma das atividades do Whow – Festival de Inovação, em São Paulo (SP), na terça-feira (24/07).

Simone Freire, fundadora da Espiral Interativa e idealizadora do Web para Todos, levou a causa da acessibilidade digital para esse painel chamado de “Inovação combina com acessibilidade. Mas quantas empresas perceberam isso?”. Além dela e do Secretário, estavam: Júlio Oliveto, Diretor de Inovação da LIVRE – Soluções em Mobilidade – KIT LIVRE e Caio Esteves, Sócio Fundador da Places for us.

Para Caio, as empresas perdem muito com a falta de acessibilidade. “Elas estão perdendo material humano e também oportunidades de negócio. A mudança vai acontecer quando as empresas se conectarem de fato com a humanidade, com o propósito. Cada vez mais as novas gerações estão trabalhando isso. Se as empresas têm um propósito, elas começam a pensar na acessibilidade também”, destacou.

O impacto das barreiras de acessibilidade no dia a dia da pessoa com deficiência foi um dos pontos mencionados durante o bate-papo. “Realizamos compras pela internet, navegamos nas redes sociais, acessamos diversos tipos de conteúdo. Por que a pessoa com deficiência deve se privar de ações comuns que realizamos? Buscamos levar conscientização também para o mundo digital. Não adianta ter cotas para colocar pessoas com deficiência na sua empresa se as pessoas precisam chamar alguém para fazer aplicação na página para postar um currículo porque o site da sua empresa não está acessível. A situação da acessibilidade está péssima, mas isso é também uma oportunidade para todo mundo aprender e mudar essa realidade”, afirma Simone.

Quando o assunto é inovação para transformar esse desafio, Júlio afirmou que ela tem tudo a ver com acessibilidade. “Você tem que saber combinar os dois. Isso envolve, por exemplo, tirar o ideal que muitas pessoas têm que uma pessoa com deficiência precisa trabalhar com atividades estáticas. O ato de inovar traz novas possibilidades de trabalho para as pessoas com deficiência. A inovação, a criatividade, a tecnologia e a acessibilidade precisam ser trabalhadas ao mesmo tempo para que a mudança aconteça”, lembra.

Acompanhamento necessário

O que acontece quando as pessoas se sensibilizam? Após a etapa da sensibilização e da construção de um site acessível, Simone destaca a necessidade do trabalho constante de manutenção desse site. “A acessibilidade é viva e precisa ser monitorada constantemente. Estamos com um trabalho muito forte com as empresas reafirmando o ponto de que é preciso acompanhar a acessibilidade. O site precisa estar acessível e ir além dessa entrega: a equipe de conteúdo, os designers e os programadores precisam ser treinados. Eles precisam entender que aquele trabalho que eles fizeram em relação à acessibilidade é perene”, conta.

De acordo com ela, a acessibilidade dos portais precisa ser acompanhada todos os dias. “Muitas vezes entregamos sites acessíveis, mas as organizações não treinam as suas equipes para que esse acompanhamento seja feito. O que acontece? Alguns meses depois, quando voltamos nessas páginas, encontramos imagens sem descrição. Uma das consequências disso é que pessoas com deficiência visual, por exemplo, acabam não sabendo o que está no conteúdo ilustrativo do site. Outro exemplo comum é encontrarmos, após a entrega do site acessível, páginas que foram criadas sem as diretrizes de acessibilidade. É por isso que a conscientização se torna tão importante nesse processo.”

Dica de acessibilidade digital para conteúdo

É recomendável que os sites tenham um avatar digital para interpretação em Libras, para surdos não alfabetizados em português. Um exemplo é o avatar da Hand Talk, parceira do Web para Todos, que realiza tradução digital e automática para a Língua Brasileira de Sinais.

Se você se interessou pelo assunto, aprenda mais sobre acessibilidade na web no evento online LINK Summit de Acessibilidade Digital 2018, da Hand Talk, que vai acontecer no dia 8 de agosto. Simone Freire e William Daflita, do WPT, e Reinaldo Ferraz, especialista em desenvolvimento WEB na W3C Brasil, são alguns dos especialistas que vão participar do evento.

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